Sou dessas que têm necessidade de falar. Mesmo que ninguém leia ou ache relevante. Eu preciso falar o que penso sobre o que leio nos livros, nos sites de noticiários, nos blogs e nas redes sociais.Redes sociais constituem o maior paradigma dessa geração, ouso dizer... Como um dispositivo pode ser tão proveitoso e, também, tão desnecessário? Proveitoso na medida em que proporcionou o surgimento e a divulgação de vários movimentos políticos ao redor do mundo, como o "Occupy Wall Street" e a "Slut Walk"; ao proporcionar a aproximação de pessoas que, por motivos variados, não podem estar próximas; proveitoso por agilizar o acesso à informação e às notícias e, por também, dar espaço e voz a pessoas como você e eu. Eis a questão! Conceder voz e espaço a tudo e todos, é o grande calcanhar de Aquiles das tais redes sociais. O porquê é óbvio! Onde não há quem impeça ou limite, todo tipo de verborragia é publicado e, vez ou outra, ganha visibilidade. Nessa lógica, tudo pode ser dito, bem como, tudo pode ser interpretado da maneira como convém a cada usuário. Assim, escritores como Caio Fernando de Abreu e Clarice Lispector ganharam a simpatia de milhares de adolescentes que, acredito eu, nunca apalparam um livro sequer destes autores. Isso quando as frases cansativamente compartilhadas são, realmente, da autoria dos escritores a quem se atribui. Sem falar nos comentários e críticas aos filmes e novelas. Todos são Woody, Almodovar e J. Clair. Profundos conhecedores de dramaturgia e artes cênicas, tecem-se críticas à atores e diretores.
O futebol também não escapa. Se acaso o seu time perder, prepare-se! Um sem fim de piadas, imagens, toscas montagens e associações desnecessárias irão bombardear o seu feed de atualizações. Mais uma vez, todos se intitulam críticos altamente conceituados e apontam seus dedos às falhas e aos erros, de qualquer atleta que tenha ousado não atender as expectativas do seu público.
Não poderia esquecer das preces e orações compartilhadas. Fico pensando, por que essa necessidade de mostrar aos outros o que você pede ao seu deus? É, realmente, necessário rezar on line? Jesus High Tech vive.
No entanto, o que mais me indigna, na verdade, é falta de autocontrole das pessoas... A vida particular não mais existe. Tudo precisa ser postado, tudo precisa ser compartilhado, tudo precisa ser visto, tudo precisa ser curtido.
Não vou ser hipócrita. Sou refém disso tudo também. Tudo que foi dito anteriormente. Embora fuja, a todo custo, de Caio Fernando de Abreu. Mas, me dói tirar uma foto e não compartilhá-la. Sinto-me frustrada quando posto algo que não é curtido e/ou comentado. Onde vamos parar?
À duras penas venho aprendendo que não devemos falar tudo que pensamos, na tal da(s) rede(s) social(is). Não é necessário. Não acrescenta nada. Nelas não há o "meu espaço". Tudo é de domínio público. Afinal, a rede é social, né?
Esse espaço aqui é fruto desse aprendizado. Facebook, Twitter e semelhantes, não são os melhores lugares para se emitir opinião de forma direta. Aqui não será necessário analisar se aquela crítica às Igrejas Neo-Pentecostais vão atingir aquela sua colega que é fiel seguidora, nem se controlar para não xingar muito aquele seu amigo que compartilhou a foto de ACM, dizendo que a volta deste seria a única solução para o fim da greve dos professores, muito menos ler comentários machistas (racistas, bairristas...) e não poder, livremente, se indignar.
Pode entrar e puxar uma cadeira, que o papo por aqui vai ser longo.
P.S.: Não sei se alguém vai se interessar por isso... Mas, enfim, já está valendo como espaço de desabafo.